Quando se fala em finanças pessoais o foco são as pessoas endividadas. No entanto, organizar suas finanças é muito mais do que pagar suas dívidas. Isso é o que o consultor e Professor Marcelo Castro propõe em seu artigo.
Você está endividado?
Você não sabe poupar?
Você sabe investir corretamente?
Você já está pensando na sua aposentadoria?
Interessante. Quando se fala em finanças pessoais o foco são as pessoas endividadas. No entanto, organizar suas finanças é muito mais do que pagar suas dívidas. Ademais, tem muitas pessoas que não estão nesta situação e precisam de orientação sobre poupar, investir certo e se preparar para aposentadoria. Comece refletindo qual o cenário atual:
Cenário 1 – Receitas e despesas equivalentes, o chamado ponto de equilíbrio, ou seja, não sobra nem falta dinheiro no final de período. Nesse caso, fica-se muito exposto a eventuais dificuldades. Imagina uma necessidade de desembolso extra para uma manutenção vital em sua casa ou para um tratamento dentário. É como se caminhar numa linha perigosa, que qualquer deslize leva você para uma situação de déficit de caixa. Não é possível iniciar o famoso “pé-de-meia”, nem efetuar compras pontuais. Quando os valores são iguais, é preciso iniciar um processo de rever os gastos ou buscar novas fontes de receitas. Em suma, fique muito atento, concentrado e haja com rapidez, caso esteja vivendo nesta situação.
Cenário 2 – Receitas são inferiores as despesas, ou seja, uma situação deficitária. Não desanime, pois isto é muito comum. Existem inúmeras razões para ter chegado a esta situação. Um grande vilão é o crédito exacerbado. No entanto, agora, isto não é importante. Há a necessidade de gerenciar este momento para reverter o caixa e poder pensar em poupar e planejar o futuro. O importante é saber se a situação é administrável ou crítica.
Acompanhe este roteiro para “sair do buraco”:
1. Levantar as suas receitas e despesas fixas mensais
2. Calcular o saldo do caixa após as despesas fixas.
2.1. Caixa positivo – Situação administrável - chamar os credores e renegociar as dívidas dentro das possibilidades de caixa e prazos de pagamento. Sempre buscar acordos amigáveis.
2.2. Caixa negativo – Situação crítica – despesas devem ser cortadas e/ou busca de novas fontes de receitas. Outros aspectos precisam ser seguidos para reverter esta situação:
a. Caso as dívidas começam a corromper a subsistência da família, pare de pagá-las e dedique seus rendimentos apenas para o básico.
b. Abra uma poupança e guarde tudo o que sobrar. Esta reserva será importante para poder começar a saldar as dívidas.
c. Uma avalanche de cartas e telefonemas dos credores ocorrerão. Eles vão infernizar o dia-a-dia, além de fazerem ameaças. Explique a situação, mas seja forte na determinação de “tomar” um fôlego.
d. O nome deverá ir para o SPC e Serasa. Conviva com isto e não compre mais a prazo.
e. Depois de alguns meses, veja quanto conseguiu poupar, faça uma lista dos credores, comece pelo menor e mais flexíveis. Negocie com um de cada vez e só aceite a proposta se for para pagamento à vista, com um bom desconto e que o valor caiba dentro do orçamento.
f. Não tenha pressa. A dívida se formou ao longo do tempo e não será da noite para o dia que irá resolver.
Cenário 3 – Receitas são superiores as despesas, ou seja, caixa positivo. Isto permite iniciar a poupar, investir e planejar o futuro. Excelente! No entanto é fundamental investir corretamente para fazer seu dinheiro crescer. Ter a capacidade de poupar é o primeiro grande passo para o sucesso financeiro. Benjamim Franklin já afirmava que “Um centavo poupado é igual a um centavo ganho”
Poupar – É muito difícil poupar no final do mês. Crie o hábito de emitir um “boleto” contra si no início de cada mês. Seja o primeiro credor, pois o vírus do consumismo pode estar aguardando para se tornar ativo. Pense o seguinte: “será que preciso de um carro novo para substituir o velho, ou vou comprá-lo porque o maldito do vizinho já tem um na garagem”? Para construir uma poupança o desafio é renunciar a compra imediata visando uma recompensa no futuro. Caso for consumir, faça uma análise considerando o momento, custo x benefício e pesquisa de mercado. Finalmente, utilize o fluxo de caixa, para saber no que está gastando, além de ajudar no planejamento financeiro. Faça o download no blog www.mccastro.com.br
Investir corretamente – O primeiro passo é conhecer o perfil do investidor, visando avaliar o grau de risco que suporta. Importante analisar outros atributos como, o momento de vida e o tempo do investimento. Faça o teste no mesmo blog supracitado.
Independente de o perfil ser agressivo, moderado ou conservador, algumas dicas:
1. Se o investidor for idoso ou precisar do dinheiro em curto prazo deverá optar pela renda fixa (fundos, poupança, CDB)
2. Economize até dez vezes as despesas fixas e mantenha aplicado em renda fixa.
3. Após este período poderá pensar em investir as novas sobras de caixa em renda variável (ações). No entanto, caso não tenha tempo para acompanhar de perto o mercado acionário, opte por fundos de ações.
4. Acima de R$ 100 mil diversifique a carteira e observe as taxas de administração.
5. No longo prazo a renda variável terá remuneração superior a renda fixa.
Planejar o Futuro – Para o sucesso financeiro é necessário um plano que enfoque os passos a seguir.
1. Faça um orçamento familiar – é importante ter um planejamento financeiro para conseguir se organizar e controlar se as previsões estão de acordo com o que estas sendo realizado.
2. Ganhe mais dinheiro – busque alternativas de receitas. Analise seus potenciais e transforme isto em dinheiro extra.
3. Evite juros do cheque especial e do cartão de crédito - sempre procure se informar das taxas de juros que estará pagando. Muitas vezes se paga o dobro por um produto a comprar financiado.
4. Tenha a casa própria – fique atento para comprar certo. Além de realizar um sonho, permite redução de gastos com aluguel.
5. Faça seguro de vida e seguro saúde – trata-se de uma medida preventiva que nas adversidades sempre é importante estar preparado.
6. Faça um plano de previdência privada – analise as taxas de administração e a instituição escolhida.
7. Poupe quanto mais cedo melhor - utilize a seu favor a magia dos juros compostos. Poupar mensalmente, mesma que uma quantia discreta, renderá bons resultados no decorrer dos anos.
8. Simule a aposentadoria – não deixe para pensar nisto somente depois dos 50 anos. Quanto mais cedo maior o retorno.
9. Permita queimar gorduras eventuais – não deixe de aproveitar a vida e gaste naquilo que realmente deseje..
Lembre sempre que o dinheiro é um meio para curtir a vida. E não o fim.
Marcelo Castro – CRA/RS 29.015 - consultor financeiro